segunda-feira, maio 12, 2008

Mania da Purificação

Tento arrancar o cinzento do preto.
Fica sempre um branco muito sujo.
Não há branqueadores para a alma.

quinta-feira, maio 08, 2008

Semana Académica de Lisboa


É La Resinance, e não La Resistance! 3, 2, 1, go, boys.
Lê-se, num post-it amarelo, na minha cabeça:
"Se está tudo bem, porque é que só me apetece chorar?"

segunda-feira, maio 05, 2008

Acção erosiva

Limaste-me as pontas, fui de diamante a carvão. Fiquei em bruto, coberta de flora. Erosão de ti, que me desgasta. E eu digo -não pares-. Tira-me de mim, põe-me onde quiseres. Anseio pelo teu vento, pelo teu mar galopante, deixaste-me, rocha, em areia. Agora leva-me.

Saudades da Polónia. Tenho dito.

Estavam à espera de quê? Documentários musicais chatos?

Naaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Nem pensar. Uma grande salva de palmas para "Introspective", o filho único das minhas deslocações ao Indie. E parabéns ao catalão Aram Garriga, por ter abordado o pseudo pós-rock sem me provocar dores de cabeça, por ter feito o Noel Gallagher parecer ainda mais parvalhão do que é, e por me ter apresentado os Mouse on Mars. Estou rendida:


Duchamp vs Richter = Sá Carneiro


"Eu não sou eu nem o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro"
Mário de Sá Carneiro

*(Nu descendo escadas, Duchamp; Ema - nú numas escadas, Richter)



segunda-feira, abril 21, 2008

Há três dias que não paro de o ouvir. Há três dias que fui buscar aquele cd à estante, onde o pó não perdoou e ele ficou esquecido. Ainda sei quando o comprei: 26 de Dezembro, 2000, prenda de Natal para mim mesma. Quando tinha de chorar, chorava ainda mais do que tinha, embrulhada na minha camisola verde de lã, no sofá verde também, na caneca de chá e no lenço de papel, na antiga morada. Transportei-me para a menina que deixei lá, nessa casa, para o coração partido por alguém que hoje não ocupa um segundo do meu tempo. Quando a ouço, naquele registo provável de ser a doce voz do amor, sou outra vez essa menina, dou outra vez o primeiro beijo, escrevo outra vez o nome dele no caderno, na mesa. De menina, dou graças por ser mulher, por me ter quebrado tantas vezes às mãos dos meios meninos meios homens que me povoaram. De mulher faço um brinde à sensualidade, à forma feminina que nos permite encostar à parede branca, fria, e dançar, dançar, dançar o swing e o flow que só ela soube inventar em forma de música. Dou, sem pedido, a benção a todos os dias maus do mês, a todas as lágrimas, a todas as crises hormonais de mau-humor, porque é bom ser assim. Numa conversa de amigas, acreditamos em todas as louva-a-Deus e viúvas negras, rimos, e dizemos que somos especiais. E somos.
À mulher que quando canta me faz a mim sentir mulher, Sade Adu, quem mais?

Post Scriptum em forma de dedicatória - "e a mais bela de todas, Emma, foi a primeira que numa noite de Outono, sob a folhagem ondulante do ulmeiro, meu deu a beijar os seus seios acastanhados, me deu a beber a taça da volúpia", Hermann Hesse. Obrigada, foi o grand finale para a nossa discussão feminina/feminista.

sexta-feira, abril 11, 2008

Boyz Noize

Onde Lux / Quando Ontem / Porque sim.

quinta-feira, abril 10, 2008

Era uma vez uma senhora que tinha um gato e um senhor que tinha uma gata. E a gata odiava o gato, e o gato, às tantas, já odiava a gata. E como a senhora era, ela mesma, uma gata, já odiava a outra também, e o senhor punha as garras de fora para o gato e fazia-lhe ffffffffff, por causa da gata. Vai na volta, o senhor odiava a senhora e a senhora odiava o senhor. Não por causa dos gatos. Por mágoas passadas, por coisas que o tempo não devolve, por feridas não abertas, não. Fechadas, disfarçadas pela quantidade certa de fond de teint. E eu sei que o senhor amava a senhora da maneira neurótica que a sua existência lhe permitia, e que a senhora o podia amar, não fosse o fond de teint. Os gatos são o transfere da luta intrínseca para o terreno, são a toma de partidos, de clubes. É assim que funciona. E não viveram felizes juntos, nem para sempre.




Relatório de estágio acabado, depois da maior ausência de sempre, voltei, com um texto esquizofrénico.